quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Dói.
- Que estranho. Um homem falando que dói é novidade pra mim.
Homens são uns idiotas.
Não sei explicar como, nem onde.
Mas dói bastante.
- Dói.
Você tá na sua curtindo o seu rolê, e de repente... A Dor.
No meio de uma conversa, de um pensamento, no trabalho, no trânsito. No meio da vida.
No singular.
- Não sei se sou louca, mas comigo, a dor vem do nada.
Do nada.
Um inconveniente, que não devia estar ali.
Não agora.
- Simplesmente chega, e me leva. Pode ser na saudade do frango frito da minha sogra, em acordar naquela cama com ele... Você não tem saudade de acordar juntinho?
Comigo, é diferente.
Tenho saudades de acordar, e falar com ela. Tenho saudades de acordar ela. Adorava quando ela me dizia que tinha o melhor despertador do mundo, ou que queria sempre acordar assim.
Pessoalmente era muito melhor. Acordar fazendo carinho, enchendo de beijos. Empolgando um pouco. Ela gostava.
Na maioria das vezes.
- Aquele frango era tudo.
Meu apetite é um frango. O primeiro que fica todo nóia quando as coisas não estão bem. Fico oito horas sem comer, e nem lembro que comida existe. Ai penso em cozinhar.
Apertem os cintos.
Lembro do quão divertido estou achando no momento cozinhar sozinho, e mudo de ideia.
Atravessaremos uma zona turbulenta.
Do nada, a fome de oito horas se transforma em oito dias, e eu preciso urgentemente de comida. Tem uma lanchonete boa aqui perto. Aquela, toda saudável, que tinha um lanche específico em promoção cada dia da semana. Aquela, que a gente sempre ia junto.
Dor.
Quinze centímetros, por favor. Não tem nada menor, por acaso?
- E o que você faz?
Depende.
Ou eu coloco uma máscara, controlo a respiração, desvio pensamentos, finjo que tá tudo bem porque aquele instante definitivamente não rima com lágrimas, ou me jogo no buraco.
- Não aprendi esse controle ainda. Eu caio no buraco, e ele me afoga. Mas é bom passar por isso.
É necessário.
- É. Necessário.

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