domingo, 7 de novembro de 2010

Ode ao nome do blog.

São seis e vinte e dois. Da manhã.

Eu cheguei em casa com a namorada e um filme.
Já eram lá as suas onze, da noite.
Ela, a Dona Joana, estava pronta pra dormir.

O filme terminou, e decidimos comer algo.
Como era ainda uma e meia, fui perguntar se ela, que estava toda arrumada pra uma noite de sono, não queria que lhe trouxesse comida.

Ela não estava mais toda arrumada pra uma noite de sono.
Ela não estava.
Foi na casa de uma amiga.

Ok.
Fomos comer.
Enrrolamos um pouco.

Chego em casa quase cinco horas, DA MANHÃ, e nada de mãe.

Ligo, querendo explicações, e ouço uma voz de pessoa bebada, chapada, ou com sono, respondendo que estava dormindo no sofá, e assustou com a ligação.

"O QUE?!? Ce tava bebendo, né?" pergunto preocupado em não deixar ela dirigir embriagada.
"Não, filho. Ninguém tá bebendo nada, aqui." enquanto ouço de fundo um "Fala do café.." e ela continua "Não. Nem café eu bebi.. Ah, é.. Já vou pra casa.. Mas antes vou tomar um café aqui.."
"Tá. Mas cuidado. E não demora muito."

E já são seis e trinta e três. DA MANHÃ!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Manifesto divino.

Me entristece ver uma espécie tão cheia de potencial intelectual, tal qual os Homo sapiens, se perdendo e limitando a questões tão completamente infames ou irrelevantes como "Deus existe?".

Se caso eu vos perguntasse "A gravidade REALMENTE existe?" não haveria problemas. Salvo pelos filósofos de ofício, e os frutos do ócio, a enorme maioria iria se encher de convicção e soltar algo como "Mas que pergunta mais besta. Todo mundo sabe que sim..".
Mas o buraco é mais embaixo.

Pergunte a um popular, por exemplo, por que a gravidade existe, e funciona. "Uma força". Que força? Como ela atua? Quais os princípios e obviedades dessa força? "Silêncio."

Se perguntar a um professor primário de ciências, ele provavelmente responderia com algo equivalente a um dogma, que todos os corpos que possuem massa, automaticamente também são possuidores de gravidade. Por quê? Por uma promoção obrigatória, onde você compra um e leva absolutamente forçado o outro? Não fugiu muito do religioso.

Caso se arrisque -por sua conta e risco- a fazer a mesma pergunta pra um físico quântico, que é bem versado na Teoria das Cordas, a resposta seria completamente diferente, mais complexa. Mas ele ainda levaria em consideração nos cálculos dele, dimensões espaciais extras, que seres humanos normais não poderiam experimentar.

Mas qual é o ponto inicial? A gravidade existe, certo?
Talvez ela sofra uma diferença de definição aqui, uma melhoria de explicação acolá, mas vai continuar derrubando maçãs não só na cabeça de físicos, como de qualquer outro.

Gravidade, em sí, é só um símbolo. Uma tentativa de nomenclatura de um fenômeno. Um acontecimento. Mas o significado deste, ou qualquer outro signo é pessoal. Pra um bebe, pode ser "aquela malvada que quebra os vasos da mamãe quando eu brinco de bola dentro de casa". Pra Newton, um galo na cabeça que trouxe fama.

Ela não deixa de ser o que é, nem precisa que você fique sabendo dela pra reger sua vida. Ela simplesmente está ali. Perceba-a, ou não.

E o mesmo paradoxo se passa com Deus.
Pode ser um erro ortográfico, pois não se coloca Maiúsculo em meio de frase, ou pode ser O Poder.
Pode ser um Papai Noel que contabiliza coisas além de simplesmente presentes de fim de ano, como pode ser um netinho com disturbios de personalidade do grande Caos. ENFIM!

Definir, é limitar.
Contenha-se em perceber. Experimentar, vivenciar.

Deus, assim como a Gravidade, não é alguma coisa que vão te comentar durante 40 minutos em uma aula, e você vai sair especialista em. Você precisa da prática. Vivenciar aquele acontecimento, e talvez só ai tentar organizar tudo aquilo de teoria que aprendeu, no intuito de ter um pouco mais de conhecimento e afinidade com essa força.

Funciona tanto pra não cair da bicicleta, como pra ter um relacionamento melhor com Deus, O Poder, ou O Netinho Esquizofrênico dO Caos.

No fim das contas, você acaba sofrendo menos.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Para a Lua

Um membro importante da família completou o ciclo.
Mas a Lua, continua ali em cima.

Foi melhor assim, acabou o sofrimento, e toda aquela bagagem pseudo-conformista que acompanham os literais climas de enterro.
Mas a Lua, permanece ali em cima.

Ela se reencontrou com o seu amor perdido.
E a Lua, que continua ali, acima.



Dá bastante trabalho cavar um buraco.

A falta de ferramenta adequada, ou mesmo a falta de conhecimento sobre sua correta utilização, pioram o fato. Mas não se comparam com o fato-objetivo desse buraco.

O local, humidade, dureza do solo, excesso de sol, falta de sol -o que leva a falta de visão, e abundância de insetos hematófagos-, ou formação de bolhas nas mãos, que noutros momentos lhe fariam definitivamente parar com o serviço, nada disso tem importância quando o buraco é um buraco que você nunca quis estar cavando. Mas precisou.
Quando é um buraco que não deveria ser cavado. Quando tudo o que você queria, era que esse buraco nunca precisasse ser cogitado ser aberto, e, logo após, fechado com uma parte de você dentro. E uma parte que dói muito por estar ali dentro.

Dá bastante trabalho, cavar este buraco. Mas casualmente, ele precisa ser cavado.

Por fim, contrariando as espectativas matemáticas, dois menos um não foi igual a um.
Ela, a Lua, apareceu sorrateiramente, como quem consola lágrimas, e acompanhou o fazedor de buraco até sua casa. Lembrando-o de que um dia, ele mesmo estará em um buraco.
Lembrando-o, que um dia, ela também virá busca-lo. E não acompanha-lo até em casa.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

diálogo com Deus.

*dá um beijo de "Bença, Pai. Boa noite."*, *faz uma cara de "tudo certo?"*.

Os Olhos ganharam oito porcento de brilho, *'faz uma cara de "Vou ter que não te responder, de novo?"*'.

*acaricia Vossa Mão como quem diz "acalma-Te"*, passa a mão nos Cabelos ainda arrumados.

A Respiração e Os Batimentos Cardíacos ficaram mais espaçados, *'Olha com a atenção mais voltada para um Olho, como quem pergunta "e você, como vai?"*'.

*sorri, como quem responde "bem..."* .

*'Focaliza-o com os Dois Olhos agora, como quem diz "Ó...".

*o sorrir se transforma em um sorriso de quase constrangimento, como quem fala "vou me esforçar mais"*.

a(A)mbos s(S)atisfeitos, ele dá outro beijo na testa Dele, e sai.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Só você e ela, ali, no escuro...

O horário já foi escolhido, e você já tem um lugar em mente. Aquele cantinho esquecido, "mocozado" do mundo, onde naquele horário, passam poucas almas pra assistirem seu pecado.

Ela também já foi escolhida. Nos casos mais extravagantes, elas. Sim, no plural. Afinal, quanto mais numerosas elas forem, mais satisfeito você vai estar no final do ato.

Perto do horário anteriormente pensado, você começa a sentir uma mistura de euforia, com ansiedade. Afinal, você esteve esperando esse momento. E sempre vai esperar por mais, e mais.
Sim, é viciante.

Enquanto está se dirigindo ao local combinado, fica relembrando de movimentações que deve fazer... Se lembra das outras experiências que teve, e de toda a descarga de dopamina/serotonina/endorfinas que seu corpo libera no final do ato, como agradecimento.

Você não se aguenta de entusiasmo, mas por fim acaba chegando ao local no horário. Então você a toma em suas mãos. Se for mais de uma, sugiro fazer com uma de cada vez. Você não se daria bem com mais que uma, de uma vez só. Culpa da limitada anatomia humana.

Depois de já devidamente envolvida, você começa a reposicionar suas mãos em pontos estratégicos. Uma dica: não force o momento. Go with the flow. Deixe que suas emoções momentâneas guiem suas mãos. Fez alguma movimentação errada? Prossiga. Provavelmente vai ser irrelevante ao final do processo.

Se delicie. Aproveite o momento. O conjunto de sensações -visão, audição, olfato, e afins- vai tornar a situação mais completa em sua mente, para futuras lembranças.

Se concentre, mas não deixe que essa concentração atrapalhe no desfrutamento do momento. Sinta.

Se lambuze, não tenha medo. Quanto maior a lambança feita, mais vívida vai ser a sua memória sensorial deste momento. Sem contar no estímulo a imaginação alheia que não é para um desavisado ver manchas brancas por suas roupas.

Por fim, goze o momento. Carpe Diem nunca fez tanto sentido na sua cabeça.

O que está feito, está feito, e -se você não estava muito chapado na hora- guardado na sua lembrança pra ser desfrutado na hora que quiser. Seus momentos cabisbaixos, enquanto sozinho, vão ter uma nova perspectiva.

Acenda um cigarro, se você for tabagista. Se não, simplesmente contemple o momento, e deixe que sua cabeça vague livremente em cima dele. Desfrute dos prazeirosos neurotransmissores.
Pros mais descarados, uma camera fotográfica é sempre uma boa amiga.

Arrume suas coisas, e não esqueça nada importante pra trás. Se usou proteção, até pode deixar seus vestígios de Latex no local, mas não esqueça nada importante como uma carteira, corrente de ouro, ou relógio, que você havia removido pra não atrapalhar suas movimentações.

Vá embora com aquele sorrizo maroto estampado no rosto. Você não vai poder evitar. Os neurotransmissores já fizeram o seu trabalho.

Por fim, lembre-se de limpar os bicos. Sim. Elas -as latas de Spray- costumam entupir com o uso prolongado.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Todos os animais precisam se adaptar ao meio. O Homem, adapta o meio.