quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Para a Lua

Um membro importante da família completou o ciclo.
Mas a Lua, continua ali em cima.

Foi melhor assim, acabou o sofrimento, e toda aquela bagagem pseudo-conformista que acompanham os literais climas de enterro.
Mas a Lua, permanece ali em cima.

Ela se reencontrou com o seu amor perdido.
E a Lua, que continua ali, acima.



Dá bastante trabalho cavar um buraco.

A falta de ferramenta adequada, ou mesmo a falta de conhecimento sobre sua correta utilização, pioram o fato. Mas não se comparam com o fato-objetivo desse buraco.

O local, humidade, dureza do solo, excesso de sol, falta de sol -o que leva a falta de visão, e abundância de insetos hematófagos-, ou formação de bolhas nas mãos, que noutros momentos lhe fariam definitivamente parar com o serviço, nada disso tem importância quando o buraco é um buraco que você nunca quis estar cavando. Mas precisou.
Quando é um buraco que não deveria ser cavado. Quando tudo o que você queria, era que esse buraco nunca precisasse ser cogitado ser aberto, e, logo após, fechado com uma parte de você dentro. E uma parte que dói muito por estar ali dentro.

Dá bastante trabalho, cavar este buraco. Mas casualmente, ele precisa ser cavado.

Por fim, contrariando as espectativas matemáticas, dois menos um não foi igual a um.
Ela, a Lua, apareceu sorrateiramente, como quem consola lágrimas, e acompanhou o fazedor de buraco até sua casa. Lembrando-o de que um dia, ele mesmo estará em um buraco.
Lembrando-o, que um dia, ela também virá busca-lo. E não acompanha-lo até em casa.

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